| Judy Blume |
Liska-Johnson tinha 11 anos quando sua tia lhe deu uma cópia do primeiro grande romance de Blume, "Are You There God? It's me, Margaret". Ela formou uma ligação instantânea com a protagonista, Margaret Simon, de 12 anos de idade, que assim como ela, estava embarcando na puberdade em um momento onde as pessoas ao seu redor não falavam abertamente sobre meninos, sutiãs e ciclo menstrual. Ela finalmente encontrou alguém que pudesse se relacionar. "Gostaria de fechar a porta e o mundo poderia cair", disse ela. A narrativa em primeira pessoa de Blume sempre me conectou com a personagem, porque ela escreveu tão perto do coração."
Acredite ou não, já são quase 43 anos desde que "Are You There God?" iniciou a prolífica carreira de Blume, que mudou a forma como uma geração de leitores aprendeu sobre a menstruação, masturbação, sexo, entre outras dores de crescimento. Embora ela tenha tido críticos em seu caminho ao longo dos anos, Blume, que completou 75 anos este ano, pode atrair uma multidão neste capítulo mais recente de sua carreira, que inclui um novo livro e a primeira adaptação cinematográfica de um de seus romances.
"Olhos de Tigre", que estreia 07 junho nos cinemas, pode não ser o livro mais popular de Blume, mas é o que ela e seu filho Lawrence Blume (a inspiração para o livro "Fudge") sempre quiseram trazer para as grandes telas. Ambos disseram que sentiram uma forte ligação sobre a personagem Davey Wexler, uma adolescente cuja mãe a tira de New Jersey para visitar parentes no Novo México, depois que seu pai é morto em um assalto à mão armada. Além disso, ele era o único romance que poderia ser filmado em 23 dias com um orçamento que só lhes permitiu pagar três atores profissionais de fora do Novo México, revelou Lawrence Blume, que dirigiu o filme e co-escreveu o roteiro com sua mãe.
Ainda assim, eles conseguiram reunir um forte elenco que incluía Willa Holland, mais conhecida por seus papéis em The OC e Gossip Girl e a ex-Power Ranger Rosa Amy Jo Johnson. O ator e índio ativista americano, Russell Means, foi escalado como o pai de Wolf, que é interpretado pelo seu filho na vida real, Tatanka Means. Até mesmo Blume e seu marido, o produtor executivo George Cooper (que ela conheceu enquanto escrevia o livro e dedicou a ele), tem participações especiais.
Por causa de temas religiosos no filme e pela herança da própria Blume, "Tiger Eyes" esteve presente em festivais de cinema judaico, incluindo o Atlanta Jewish Film Festival, onde foi exibido em uma tarde de domingo, em fevereiro.
Para os fãs de Blume, porém, provavelmente não importa qual o filme foi mostrando, enquanto ela estava lá para falar sobre isso. A platéia lotou o cinema de Atlanta para a sessão de perguntas e respostas de "Tiger Eyes", levando cópias esfarrapadas dos livros de Blume para a sessão de autográfos que aconteceria depois.
Na platéia estava Donna Liska-Johnson, agora uma professora de educação especial de 44 anos de idade, com uma estante cheia das primeiras edições dos romances de Judy Blume adquiridos via eBay. Ela chegou duas horas mais cedo, com cópias de "Are You There God?" e "Tiger Eyes" nas mãos e uma flor roxa de tecido no cabelo, que ela disse ser uma brincadeira com o som da palavra flor ao sobrenome da autora (Bloom, Blume).
Quando chegou sua vez de conhecer a sua heroína, ela engasgou-se, esforçando-se para encontrar palavras e lutando contra as lágrimas, enquanto o marido esfregou suavemente suas costas. "Posso morrer feliz agora", disse ela depois de recuperar a compostura. "É uma espécie de encontro com seu super-herói."
Do outro lado da mesa, Blume sorriu pacientemente e acenou com a cabeça de maneira graciosa, mostrando que é alguem que está acostumado com esse tipo de coisa. Normalmente, Blume mantém uma caixa de lenços em cima da mesa em sessões de autógrafos, ela disse que é ciente de seu efeito sobre os fãs. Em grande parte, eles são mães, esposas, professores, doutores ou sobreviventes de câncer (assim como Blume) em seus 20, 30, 40 anos e mais. Em sua presença, porém, eles voltam a ser adolescentes, mostrando sua emoção através do riso nervoso, profissões de adoração ou lágrimas.
"Eu represento algo da infância deles, ela estava em sua vida enquanto eles estavam lendo esses livros", Blume disse mais tarde.
Vestindo um conjunto preto elegante de jeans retas, jaqueta de couro equipada, botas de couro curtas e cachecol patchwork, Blume é levada com um equilíbrio e confiança de alguém que passou décadas no olho do público escrevendo e falando sobre si mesma. Para responder a algumas das perguntas recorrentes, ela mantém um site decorado com corpos de desenhos animados com a cabeça de Blume e contendo bibliografias anotadas, informações sobre sua batalha com a censura e curiosidades como a sua cor favorita.
Ela usa sua assinatura com um sorriso amigável, seja conversando com um fã ou exigindo iluminação extra para a sessão de autógrafos. Ela não hesita em falar o que pensa, se por exemplo, alguém lhe pedir para assinar sua biografia não autorizada, supostamente "com base em informações em primeira mão da escritora sobre si mesma."
"Eu não tenho certeza se eu quero assinar isso. Nem sequer escrevi isso!" ela se perguntou em voz alta antes de decidir."Não acredite em nada que você lê neste livro!" O fã se desculpou, mas Blume lançou um sorriso e disse-lhe para não se preocupar. "Não se desculpe. Estou tão feliz que você veio", disse ela, sorrindo.
Blume está evoluindo com o tempo de outras maneiras, tendo cultivado uma respeitável conta no Twitter com mais de 82 mil (agora já são 90 mil) seguidores a quem ela deu um grito durante a coletiva de domingo. Ela usa o Twitter para compartilhar informações sobre reflexões e pensamentos, como um sobre a vantagem de completar 75 anos e não ter mais que tirar os sapatos na segurança do aeroporto.
Mas pouco mudou ao longo dos anos dentro das páginas de seus clássicos literários. Claro, em novas edições, o modess de Margaret e cinto foram substituídas por almofadas adesivas. Fudge, o insuportável irmão mais novo de Peter Hatcher, tem novos brinquedos eletrônicos, disse ela. Caso contrário, a luta de seus protagonistas ainda ressoam com sua base de fãs dedicados.
"Eu não acho que as pessoas mudam, existe uma mudança eletrônica, as coisas que temos mudam, mas a maneira como vivemos não muda", disse Blume, enquanto esperava no saguão para a coletiva do domingo.
Algumas mudanças foram feitas na transição de seu livro para o cinema, o que se tornou o foco natural das perguntas durante o coletiva. Por que a relação entre a mãe de Davey e seu pretendente nerd minimizou, uma pessoa perguntou, e por que a tia de Davey tornou-se a irmã de sua mãe no filme em vez da irmã de seu pai?
Blume e seu filho garantiram ao público que as mudanças foram feitas para preservar o fluxo narrativo do filme, o que pode ser o maior desafio na adaptação de um livro em primeira pessoa.
"Há tantas vezes que ela pode ir para o seu quarto e fechar a porta", Blume disse à platéia. "Eu acho que diversas coisas no filme ficaram melhores que no livro."
Ela também disse à platéia que chora muito quando ela está escrevendo, especialmente se ela está no caminho certo."Eu sei que estou indo bem quando eu estou escrevendo um livro e ao mesmo tempo estou rindo ou chorando", ela disse ao público durante a coletiva de imprensa. Se for assim, é um bom presságio para o filme, durante o qual ela ainda chora mesmo que ela já tenha o visto várias vezes.
Membra da platéia, Melissa Rabb, admitiu que "chorou como um bebê", durante a exibição do filme. Sua verdadeira razão para estar ali, era poder encontrar Blume pela segunda vez em sua vida. Ela trouxe com ela uma cópia de "Deenie" que Blume autografou há 30 anos, quando visitou a escola primária de Rabb em Calhoun, Geórgia.
Durante a sessão de autógrafos, as duas compartilharam histórias em comum sobre o tratamento do câncer, enquanto Blume assinava o antigo livro de Rabb, pela segunda vez.
"Fico feliz que nós duas estamos ainda aqui, 30 anos depois."
Original em inglês aqui.
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