quarta-feira, 5 de junho de 2013

New York Post: Judy Blume está finalmente pronta para seu Hollywood Closeup

"Serei cuidadoso na maneira com que vou dizer isso", diz o filho de Judy Blume, Lawrence. "Não houve uma compreensão profunda, na comunidade de Hollywood, de como ela é incrivelmente popular. Quero dizer, ela vendeu 85 milhões de livros! Então, quantos filmes foram feitos da autora loucamente amada, romances sobre o processo desconcertante de crescer, incluindo Are You There God? It's Me, Margaret (a pré-adolescente que lida com seu corpo mudando), Deenie (um sonho de uma menina de 13 anos de idade, de ser um modelo termina quando ela é diagnosticada com escoliose) ou Forever (primeiras experiências sexuais em uma escola de alto nível)?"

Não seria nada.
Judy Blume

Mesmo numa época em que as adaptações de filmes para jovens adultos dominam as bilheterias, de "Harry Potter" a "Crepúsculo" e "Jogos Vorazes", de alguma forma, as obras de Blume - estimada por gerações de leitoras - foram totalmente negligenciadas pela indústria cinematográfica. 

Parece incompreensível que não haja nenhuma versão para o cinema de "Tales of a Fourth Grade Nothing" ou "Blubber" - este último, um conto de assédio moral, que hoje encaixaria-se perfeitamente no conceito atual.

Até agora, tinha sido assim. Mas mãe e filho finalmente, assumiram a responsabilidade com suas próprias mãos. O resultado é o filme "Tiger Eyes", que estreia sexta-feira nos cinemas americanos.

Adaptado do romance de 1981 de Blume, que conta a história da adolescente Davey Wexler (Willa Holland), que se muda de Atlantic City para Santa Fe com sua mãe (Amy Jo Johnson) e irmão (Lucien Dale) depois de seu pai ser morto a tiros durante um assalto à loja de conveniência da família.

Sem o conhecimento de Judy até alguns anos atrás, o livro sempre foi um dos favoritos de seu filho, Lawrence Blume. "Eu fiquei absolutamente chocada quando ele disse isso durante um Q&A (perguntas e respostas)", diz a autora, agora com 75 anos de idade.

"Essa é a minha história", Lawrence (49), ressalta. "Meus pais se separaram, e eu estava em Nova Jersey arrasado pelo meu pai - ele não morreu, graças a Deus - e mudamos para esta pequena cidade no Novo México. Essa montanha-russa emocional de ter de começar de novo, nessa idade delicada, realmente mexeu comigo. Quando eu li isso, eu imediatamente pensei, 'Eu quero fazer disso um filme um dia."

Em 2009, surgiu a oportunidade: Lawrence iria dirigir, e sua mãe seria co-autora e produtora e estaria presente durante todo o processo. De extrema importância para ambos foi o fato de certificarem-se de que os fãs do livro não se desapontariam - que poderiam reconhecer todos os pequenos detalhes que amavam no texto.

"Nós escrevemos o roteiro juntos", diz Judy, "e eu dizia coisas como, 'Você sabe, se não tivermos o Wolf, damos a Davey uma amostra da fruta quando eles estão no canyon.' Nós dois tentávamos ficar o mais fieis a ela emocionalmente, o quanto podíamos."

Ainda assim, há mudanças. No livro, Davey encontra um jovem chamado Wolf enquanto ela está caminhando, eles criam uma amizade, mas ele é apenas um rapaz fugazmente presente. No filme, o papel de Wolf (interpretado por Tatanka Means) é substancialmente alargado - e Judy diz que não sabe por que ela escreveu isso de outra maneira.

"Eu não posso acreditar que quando escrevi o livro, eu mandei-o embora!", Diz ela. "Eu pensei: 'O que eu estava pensando?' Você nunca poderia mandá-lo embora no filme. Ele é muito importante."

Quanto ao porquê de ter demorado tanto para o trabalho de Blume encontrar seu caminho para o cinema - houve um telefilme de "Forever", nos anos 70, e uma série de vida curta de "Fudge" nos anos 90 - Lawrence cita várias razões.

"Ela estava voltada para a escrita - não tinha qualquer ambição de chegar a Hollywood e fazer filmes", diz ele. "Mas ao longo dos anos, alguns cineastas maravilhosos vieram. Gus Van Sant disse uma vez que ele adoraria fazer 'Forever', e ela disse, 'Ótimo', e então ele foi para outros projetos, como eles fazem. Ela queria trabalhar com pessoas que tinham um certo nível de classe. Ela estava com medo de que fazendo isso mal, seria motivo de vergonha, ou seus fãs iriam ficar chateados."

Também, Judy acrescenta: "Eu não acho que todo livro precise ser um filme. Eu não tenho certeza, mas eu nunca faria do meu livro "Margaret", um longa. É um livro que virou tão pessoal para cada leitor - Um filme poderia ser somente o despertar de um público para se decepcionar."

Blume está extremamente orgulhosa do trabalho de seu filho em "Tiger Eyes." O único problema? Dada a ausência de vampiros, bruxos e lutas até a morte, é o caso da pequena escala com nenhum grande estúdio necessário para produzi-lo.

"Eu estava em uma livraria outro dia, e muitas jovens mulheres souberam que eu estava lá e vieram correndo para tirar fotos comigo", diz Judy. "E nenhuma delas sabia que havia um filme de" Tiger Eyes" prestes a ser lançado. Isso foi muito desanimador."

Mas Blume está esperançosa de que a palavra positiva de sua boca vai mudar isso. E ela ainda sabe como marcar seu realismo irresistível nos jovens leitores.

"As mães vêm até mim em sessões de autógrafos e descrevem o que elas dizem sobre meus livros a suas filhas, 'Estes foram os meus livros favoritos'", diz ela. "Eu digo: Parem com isso! Esse é um grande desvio! Se você quer que eles realmente leiam, então deixem os livros em casa e digam: Você não está pronto para ler isso ainda."

Notícia original aqui

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